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17 março 2011

BPE comemora Dia Mundial da Poesia com espectáculo sobre Mário de Sá-Carneiro


Rastros de Oiro

espectáculo sobre Mário de Sá-Carneiro e a sua obra


Pegando em 14 poemas Mário de Sá-Carneiro e em 1 poema de Mário de Cesariny, construiu-se um espectáculo onde a representação se mistura com a poesia, procurando dar uma imagem da obra deste poeta, assim como das suas idiossincrasias, actualmente considerado um dos maiores expoentes da literatura moderna, a sua genialidade é tão grande que quase o aproxima da loucura.


Verdadeiro insatisfeito e inconformista, não se conseguindo entender com a maior parte dos que o rodeavam, nem tão pouco ajustar-se à vida prática, devido às suas inconstâncias emocionais, acaba por ser incompreendido no seu jeito poético, embora profetizando que no futuro se faria jus à sua obra.


Com Pessoa e Almada Negreiros, Santa-Rita Pintor, entre outros, integrou o primeiro grupo do modernismo português, sendo responsável pela edição da revista Orpheu. As suas influências literárias são de Edgar Allan Poe, Oscar Wilde, Charles Baudelaire, Stéphane Mallarmé, Fiodor DostoievsKi, Cesário Verde e António Nobre.


Aquilo que se procurou foi trabalhar cada poema como se de um pequeno texto teatral, ou de uma personagem se tratasse, criando um espectáculo de cor e sonoridades.


Mário de Sá-Carneiro

Mário de Sá-Carneiro (Lisboa, 19 de Maio de 1890 — Paris, 26 de Abril de 1916) foi um poeta, contista e ficcionista, um dos grandes expoentes do Modernismo em Portugal e um dos mais reputados membros da Geração d’Orpheu.


Com Pessoa e Almada-Negreiros integrou o primeiro grupo modernista português (o qual, influenciado pelo cosmopolitismo e pelas vanguardas culturais europeias, pretendia escandalizar a sociedade burguesa e urbana da época), sendo responsável pela edição da revista literária Orpheu (e que por isso mesmo ficou sendo conhecido como a Geração d’Orpheu ou Grupo d’Orpheu), um verdadeiro escândalo literário à época, motivo pelo qual apenas saíram dois números (Março e Junho de 1915; o terceiro, embora impresso, não foi publicado, tendo os seus autores sido alvo da chacota social) – ainda que hoje seja, reconhecidamente, um dos marcos da história da literatura portuguesa, responsável pela agitação do meio cultural português, bem como pela introdução do modernismo em Portugal.


Verdadeiro insatisfeito e inconformista (nunca se conseguiu entender com a maior parte dos que o rodeavam, nem tão pouco ajustar-se à vida prática, devido às suas dificuldades emocionais), mas também incompreendido (pelo modo com os contemporâneos olhavam o seu jeito poético), profetizou acertadamente que no futuro se faria jus à sua obra, no que não falhou.


Reconhecido no seu tempo apenas por uma elite, à medida que a sua obra e correspondência foi publicada, ao longo dos anos, tornou-se acessível ao grande público, sendo actualmente considerado um dos maiores expoentes da literatura moderna portuguesa. Embora não tenha a mesma repercussão de Fernando Pessoa, a sua genialidade é tão grande (senão mesmo maior) que a de Pessoa, mas porém muito mais próxima da loucura que a do seu amigo.


A entrada no espectáculo é gratuita, contudo pedimos o favor de uma confirmação prévia da sua presença. Para mais informações, pode-se contactar a Biblioteca Pública de Évora, através do número de telefone 266 769 330 ou consultar o sítio da BPE na Internet em http://www.evora.net/bpe/ .



Comemoração do Dia Mundial da Poesia na BPE

01 abril 2009

Dia Internacional do Livro Infantil



Amanhã, dia 02 de Abril, comemora-se em todo o mundo o Dia Internacional do Livro Infantil.


A Biblioteca Pública de Évora assinala o dia com uma actividade de promoção da leitura para meninas e meninos com idades compreendidas entre os 5 e os 7 anos e respectivos professores à volta das palavras, das imagens e dos textos que vivem nos livros. Esta actividade, de nome "Limpar palavras na biblioteca", tem por base o poema de Álvaro Magalhães "O limpa-palavras". Além da actividade, estão expostos, para quem quiser levar para casa, livros infantis um pouco por toda a biblioteca.


Aqui fica a mensagem do IBBY (International Board on Books for Youg People), difundida internacionalmente para assinalar este dia.




Mensagem do 2 de Abril de 2009
Dia Internacional do Livro Infantil


Eu sou o mundo

Eu sou o mundo e o mundo sou eu,
porque, com o meu livro,
posso ser tudo o que quiser.
Palavras e imagens, verso e prosa
levam-me a lugares a um tempo próximos e distantes.

Na terra dos sultões e do ouro,
há mil histórias a descobrir.
Tapetes voadores, lâmpadas mágicas,
génios, vampiros e Sindbades
contam os seus segredos a Xerazade.

Com cada palavra de cada página
viajo pelo tempo e pelo espaço
e, nas asas da fantasia,
o meu espírito atravessa terra e mar.

Quanto mais leio mais compreendo
que com o meu livro
estarei sempre
na melhor das companhias.

Hani D. El-Masri

Tradução: José António Gomes



Hani D. El-Masri

Ilustrador e profissional de cinema, nascido no Cairo, Egipto, em 1951, Hani El-Masri foi educado pelos Jesuítas, tendo mais tarde ingressado no Colégio de Belas Artes do Cairo. Emigrou para os Estados Unidos aos trinta e cinco anos. Ali, entrou para a Walt Disney Imagineering, em 1990, onde trabalhou como desenhador conceptual durante cinco anos. Na Imagineering, participou em projectos como o Disneyland’s ToonTown, o Disneyland’s Critter Country de Tóquio, o Museu Infantil de Baltimore, e o Arabian Coast do recentemente inaugurado Tokyo Disney Seas. Em 1995, Hani trabalhou como artista de desenvolvimento visual de projectos na película de animação O Príncipe do Egipto, assim como em A Estrada para El Dorado e Spirit: o corcel indomável. Mais tarde, trabalhou na película Osmosis Jones. Regressado ao Egipto, dedica-se, desde 2005, à realização da sua própria versão para crianças de As mil e uma noites, em forma de livro. Foi premiado como melhor ilustrador pela saga de Xerazade no prémio Suzanne Mubarak, outorgado pelo Egyptian Board on Books for Young People (EBBY).


A Mensagem do Dia Internacional do Livro Infantil é uma iniciativa do IBBY (International Board on Books for Young People), difundida em Portugal pela APPLIJ (Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil),
Secção Portuguesa do IBBY.

25 outubro 2008

Uma "viagem" poética através da obra de Cecília Meireles

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.


Este poema mostra o centro da inspiração da poetisa brasileira Cecília Meireles, o qual revela a sua atitude perante o mundo e a sua atitude para consigo própria. Segundo Sophia de Mello Breyner Andersen (in Cidade Nova. IV série, nº6 (1956), p. 342), a sua poesia é construída de dualidades, é um equilíbrio de oposições e uma harmonia de contrários. É uma poesia ao mesmo tempo clássica e romântica, objectiva e subjectiva, serena e desesperada, intemporal, desligada, distante e humanamente cheia de paixão e lágrimas. É uma poesia suspensa entre reinos divididos que tem de procurar constantemente a sua unidade, resolver a sua divisão, reunir os seus membros dispersos.

Foi através de alguns textos seleccionados pelo leitor-guia Fábio Mário Silva e a leitura dramática do PIM Teatro que os participantes da Roda de Leitura viajaram ao mundo poético de Cecília Meireles. Esta viagem teve lugar no passado dia 23 de Outubro à noite na Sala de Leitura da Biblioteca Pública de Évora.

Os poemas escolhidos pelo leitor-guia, interpretados por alguns elementos do PIM Teatro, deram mote a acesas discussões e partilha de sentimentos. Durante cerca de duas horas Fábio Mário Silva mostrou que a obra de C. Meireles é um projecto literário consistente e diversificado e que deveria merecer mais a atenção em Portugal, onde nem sequer existe a sua obra completa editada.


02 julho 2008

Apresentação do Livro : À Flor da Pele


Teve lugar na BPE, no dia 20 de Junho pelas 18h30 a apresentação do livro À Flor da Pele do poeta e crítico de poesia, António Carlos Cortez. A abertura da sessão esteve a cargo do Prof. António Cândido Franco, mas também esteve presente na apresentação Manuel Silva Terra da Casa do Sul Editora.

O Dr. António Carlos Cortez, poeta com apenas 32 anos, já conta com a publicação de quatro obras poéticas: Ritos de Passagem, que é uma espécie de diário sobre a saída da sua adolescência e iniciação na poesia, Barco no Rio, A Sombra no Limite e À Flor da Pele que é uma obra poética sóbria e simples.

De acordo com a interpretação do Prof. Cândido Franco, esta obra possuí uma certa dose de linguagem hermética que faz apelo aos sentidos. Estas sugestões interpretativas foram ilustradas através da leitura em voz alta de alguns poemas de António Cortez. Entre os quais destacam-se "Modo de Olhar", que é uma poesia fechada sobre si mesma, mas onde prevalece a atracção pelo silêncio; "Palavras para Quê", que é um poema cuja temática está relacionada com as intenções e propósitos das palavras.

Após a intervenção do Prof. António Cândido Franco, o poeta agradeceu as leituras feitas à sua mais recente obra poética e numa frase resumiu a sua obra como sendo "Uma Poética do Silêncio e da Intencidade". Seguidamente procedeu à leitura de três dos seus poemas: "Tudo o que Somos", "Praia" e "Ecos". E é neste clima de "leitura dos sentidos" que António Cortez deu por terminada a apresentação do seu livro de poesia.

visões, neurónios & afectos