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07 abril 2011

Os Dias do Livro na BPE


A Biblioteca Pública de Évora e a Câmara Municipal de Évora, no âmbito da comemoração do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, promove uma tertúlia e uma mesa redonda dedicadas às bibliotecas e aos papéis que estas instituições devem desempenhar.


A primeira sessão, uma mesa redonda dedicada ao tema Bibliotecas Itinerantes realiza-se no próximo dia 19 de Abril, terça-feira, às 18h00. Perante a possibilidade de Évora passar a dispor de uma biblioteca itinerante que satisfaça as necessidades de leitura num concelho tão disperso com este, procurou-se reunir um painel de especialistas e técnicos da área com o propósito de discutir a sua pertinência e estratégias a desenvolver. Pretende-se que seja sobretudo um momento de partilha de ideias entre o painel de convidados e os cidadãos eborenses. Para esta mesa redonda convidaram-se Cristina Taquelim, da Biblioteca Municipal de Beja, Constantino Piçarra, da Biblioteca Municipal de Almodôvar, Rui Neves, da Biblioteca Pública Municipal de Montijo e Cláudia Sousa Pereira, em representação da Câmara Municipal de Évora. A moderação da sessão está a cargo de José António Calixto, director da Biblioteca Pública de Évora.

No dia seguinte, às 18.00 horas também, é hora de falar sobre o que aconteceu ao mundo das bibliotecas desde a implantação da República Portuguesa até aos dias de hoje. Cem anos volvidos sobre a Implantação da República no nosso país, importa então entender que caminho percorreram as bibliotecas, que importância têm na sociedade actual e como influenciam o exercício da cidadania na sociedade da informação. Pretende-se que estes e outros temas sejam debatidos num ambiente informal que visa a aproximação dos cidadãos aos especialistas da área. Para esta tertúlia foram convidados Henrique Barreto Nunes, Ex-director da Biblioteca Pública de Braga, Universidade do Minho e Vice-Presidente do Conselho Cultural da Universidade do Minho, Maria José Moura, Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas - BAD, Bruno Duarte Eiras, Coordenador dos Serviços de Apoio ao Leitor das Bibliotecas Municipais de Oeiras)e o director da Biblioteca Pública de Évora José António Calixto que moderará a sessão. Esta actividade integra-se no ciclo de Tertúlias promovido pela Câmara Municipal de Évora “O CENTENÁRIO DA REPÚBLICA EM ÉVORA”.


A participação nas duas sessões é livre, mas pede-se o favor de uma confirmação prévia da sua presença. Para mais informações, pode-se contactar a Biblioteca Pública de Évora, através do número de telefone 266 769 330 ou consultar o sítio da BPE na Internet em http://www.evora.net/bpe/ .


21 março 2011

Sugestão Semanal de Leitura


Autor: Paul Auster

Título: Sunset Park

Cota: 821.111(73)-3 AUS/SUN

» Durante os meses sombrios do colapso económico de 2008, quatro jovens ocupam ilegalmente uma casa abandonada em Sunset Park, um bairro perigoso de Brooklyn. Bing, o cabecilha, toca bateria e dirige o Hospital das Coisas Escangalhadas, onde conserta relíquias de um passado mais próspero. Ellen, uma artista melancólica, é assaltada por visões eróticas. Alice está a fazer uma tese sobre a forma como a cultura popular encarava o sexo no pós-guerra. Miles vive consumido por uma culpa que o leva a cortar todos os laços familiares. Em comum têm a busca por coerência, beleza e contacto humano. São quatro vidas que Paul Auster entrelaça em tantas outras para criar uma complexa teia de relações humanas, num romance sobre a América contemporânea e os seus fantasmas.



Autor: Tony Diterlizzi

Título: Kenny e o Dragão

Cota: J 82-3 DIT/KEN

» O que fazer quando o nosso novo amigo foi considerado como um flagelo pela comunidade a que pertencemos e marcado como um alvo a abater? Perguntem ao Kenny, o jovem coelho. Foi o que aconteceu quando, na pequena aldeia de Roundbrook, se começou a ouvir falar de um dragão à solta pelos campos. O próprio Rei convoca um exterminador de dragões para tratar do assunto com a maior urgência.



Autor: Sheryl Webster

Título: O novelo da Massinhas

Cota: I 82 WEB/NOV

» A Massinhas sempre quis aprender a tricotar… E até sabia as palavras mágicas que teria de dizer: “Um Ponto, uma Laçada e junta então os dois!”

Então quando a Massinhas encontra um novelo de lã inteirinho só para ela, decide fazer um cachecol de malha. Começa a tricotar, a tricotar e não pára sequer para descansar…

Mas depressa se apercebe que está metida numa grande «malhada»!



» Boas Leituras

07 fevereiro 2011

Banda Desenhada em destaque na BPE

Durante este mês a BD vai estar em destaque na Biblioteca Pública de Évora.
Venha ao nosso Serviço de Empréstimo Domiciliário e escolha os seus álbuns favoritos, de entre as cerca de 1300 obras de BD que cá existem, para ler na BPE ou no conforto da sua casa.

Não perca a oportunidade de ler, reler e descobrir os mais conhecidos (e desconhecidos!) heróis da Banda Desenhada.

... e traga o seu filho também!

07 outubro 2010

Mário Vargas Llosa - Prémio Nobel da Literatura 2010


Algumas das obras de Mário Vargas Llosa - Prémio Nobel da Literatura 2010 - que integram a colecção de empréstimo domiciliário da Biblioteca Pública de Évora.

Parabéns ao Autor.

16 julho 2010

Uma noite na biblioteca!


Em Abril de 2009 a BPE acolheu na sua Sala de Leitura uma peça de teatro de título Uma noite na Biblioteca, pelo Teatro da Rainha. Hoje não serão actores a representar, mas sim crianças e jovens leitores que cá passarão a noite.


Entre brincadeiras, leituras, encenações, contos e visitas à descoberta dos segredos da biblioteca de lanterna na mão, os miúdos que frequentaram o atelier FÉRIAS COM LIVROS têm agora a oportunidade de serem os primeiros a habitarem esta biblioteca bicentenária durante uma noite. Até Setembro serão cinco noites que crianças e jovens dos ateliers FÉRIAS COM LIVROS e PEÇAS PARA NOVOS MUNDOS ocuparão a BPE.

Depois de uma semana passada na BPE e fora dela em actividades e visitas diversas na nossa cidade, os ateliers terminam com esta noite mágica, cheia de animação em volta dos livros e da leitura.

Estas noites integram-se no programa que a BPE preparou para as férias de Verão especialmente dedicado às crianças e jovens da nossa cidade. Férias com Livros e Peças para Novos Mundos são os nomes das oficinas, que alternam entre sim, trazendo na totalidade cerca de 100 crianças à biblioteca durante todo o Verão. Ambos os ateliers terminam com noites na biblioteca, proporcionando uma experiência inédita aos miúdos que os frequentam.

Estes programas procuram sobretudo cativar para a leitura crianças e jovens, de um modo lúdico e pedagógico, incentivando sua criatividade.



06 julho 2010

Oficina de Férias na BPE: últimas inscrições


O nosso atelier Férias com Livros já arrancou e os nossos pequenos leitores agora divertem-se e puxam pela sua imaginação em actividades diversas em torno dos livros. Contam-se histórias, vêem-se filmes, lêem-se livros, pintam-se azulejos... e brinca-se!

O próximo atelier está já aí à porta e alertamos agora para as últimas inscrições.

Dedicado a miúdos um pouco mais velhos, Peças para Novos Mundos é a oficina para os nossos jovens dos 10 aos 13 anos. Um atelier com duração de uma semana, também em volta dos livros e do património da nossa cidade.

Ambos os ateliers são gratuitos, mediante inscrição prévia.
As inscrições devem ser feitas preferencialmente através do nº de telefone 266 769 330.

Inscreva já o seu filho(a)!


Peças para novos mundos

Oficina de férias com a duração de cinco dias para jovens entre os 11 e os 13 anos, com diversas actividades em volta dos livros, do teatro e da cidade de Évora, que estimulam a criatividade dos nossos jovens leitores.
Partimos à descoberta de recantos escondidos na cidade de Évora para criar mundos imaginários dentro da Biblioteca, que se irá transformar num laboratório de expressão dramática.

Períodos 19 a 23 Julho; 26 a 30 Julho; 16 a 20 Agosto; 23 a 27 Agosto
Horário segunda a sexta das 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h00 (último dia até às 17h30)
Dinamização Rebeca Gradíssimo
Público jovens dos 11 aos 13 anos
N.º de Participantes até 10
Duração 1 semana
Inscrições Tel. 266 769 330
Para mais informações Tel. 266 769 330

Entrada livre mediante inscrição prévia
Só se aceitam inscrições para uma semana, para o mesmo participante
Dá-se prioridade às crianças que não participaram em nenhum dos períodos.

Matilde Rosa Araújo (1921 - 2010)

Matilde Rosa Araújo
Biografia

Partiu hoje mais uma grande escritora do panorama da literatura infantil portuguesa.

Mais uma vez foi-se embora a escritora, restando apenas as suas palavras, nos livros que escreveu e no imaginário de muitas crianças.

Aqui se deixam algumas sugestões de obras suas que se podem encontrar no nosso Serviço de Empréstimo Domiciliário.

Autor: ARAÚJO, Matilde Rosa, 1921- 2010

Título: O chão e a estrela

Cota: J 821.134.3-3 ARA


Autor: ARAÚJO, Matilde Rosa, 1921- 2010

Título: Segredos e brinquedos

Cota: J 821.134.3-1 ARA


Autor: ARAÚJO, Matilde Rosa, 1921- 2010

Título: Rosalinda foi à feira

Cota: I 82 ARA


Autor: ARAÚJO, Matilde Rosa, 1921- 2010

Título: Problemas

Cota: I 82 ARA


Autor: ARAÚJO, Matilde Rosa, 1921- 2010

Título: As fadas verdes

Cota: I 82 ARA


Autor: ARAÚJO, Matilde Rosa, 1921- 2010

Título: O cantar da Tila : poemas para a juventude

Cota: J 821.134.3-1 ARA


Autor: ARAÚJO, Matilde Rosa, 1921- 2010

Título: O sol e o menino dos pés frios

Cota: J 821.134.3-3 ARA


Autor: ARAÚJO, Matilde Rosa, 1921- 2010

Título: História de uma flor

Cota: I 82 ARA


Autor: ARAÚJO, Matilde Rosa, 1921- 2010

Título: O palhaço verde : novela infantil

Cota: CL - B-177.237


Autor: ARAÚJO, Matilde Rosa, 1921- 2010

Título: Anjos de pijama

Cota: I 82 ARA/ANJ


26 maio 2010

Amanhã - Antunes da Silva na Biblioteca Pública


Amanhã, dia 27 de Maio, é dia de homenagem ao escritor eborense Antunes da Silva na Biblioteca Pública. Reconhecido por uns, esquecido por outros, o que é certo é que Antunes da Silva foi um dos maiores vultos do Neo-Realismo Português. Eborense de gema, cantou o seu Alentejo como poucos o souberam fazer. É pois altura de trazer a obra deste este escritor à luz do dia e prestar-lhe o devido tributo.

Na Pátria do Cardo - Apresentação do escritor Antunes da Silva, da investigadora Maria João Pereira Marques vai ser apresentado em sessão pública logo às 18h00, uma obra que constata o Alentejo como eixo central na vida e na obra do cidadão e intelectual Antunes da Silva.

Na Pátria do Cardo deve o seu título à seguinte passagem contida na obra Gaimirra (1983):

"Ontem encresparam-se os matos. Entre os ermos, o cardo é a planta menos efusiva e material. A mais audaz. Será um cardo que ficará junto ao rosto do sol, na futura bandeira do Alentejo.
Bem vindos a esta Pátria."

Logo de seguida, às 19h00, a autora muda de papel e passa a ser a Leitora-guia de mais uma Roda de Leitura dedicada a este autor. O Regresso, um conto presente na obra Gaimirra vai ser o foco de atenção e motivo de um momento agradável de leitura partilhada.

Por tudo isto vale a pena estar presente.
Leia connosco!

Entrada livre mediante inscrição prévia


25 maio 2010

Quem foi Antunes da Silva?

Armando Antunes da Silva


Escritor português, nascido a 31 de Julho de 1921, frequentou a escola comercial em Évora, a sua cidade natal, tendo desempenhado a actividade de empregado de escritório, até partir para Lisboa, em 1948. Colaborou em publicações periódicas que divulgaram e teorizaram o neo-realismo, como O Diabo, Sol Nascente ou Vértice. Inserido numa segunda geração neo-realista, Antunes da Silva revelou-se na poesia com a edição de Esta Terra que é Nossa e Canções do Vento, volumes editados ambos na colecção "Cancioneiro Geral", e que, sob a influência dos modelos de Lorca ou de Manuel da Fonseca, apelam para a reactualização das fontes populares e dos romanceiros.

Afirmando-se essencialmente como ficcionista, a obra literária de Antunes da Silva confirma a defesa do desenvolvimento de uma literatura em que os motivos populares, numa perspectiva neo-realista, devem ser encarados à luz da problemática económico-social (cf. "Breve Apontamento sobre uma Nova Literatura Regional" in Vértice, 1956-7, Coimbra, pp. 312-313).

Bibliografia
Gaimirra, Lisboa, 1946; Vila Adormecida, Lisboa, 1948; Sam Jacinto, s/l, 1959; O Aprendiz de Ladrão, Lisboa, 1954; Rosária, Lisboa, 1956; O Amigo das Tempestades, Lisboa, 1958; Suão, Lisboa, 1960; Terra do Nosso Pão, Lisboa, 1964; Uma Pinga de Chuva (crónicas e narrativas), Lisboa, 1972; Alentejo é Sangue (crónicas e narrativas), Lisboa, 1966; O Exilado e Outros Contos, Porto, 1973; A Fábrica (romance), Lisboa, 1979; Esta Terra que é Nossa, Lisboa, 1952; Canções do Vento, Lisboa, 1957; Rio Degebe, Lisboa, 1973; Jornal: diário, Lisboa, 1987


Fonte: http://www.infopedia.pt/$antunes-da-silva

21 abril 2010

Apresentação de livro de António Cartaxo na Biblioteca Pública



Amanhã | 22 de Abril | Quinta-feira

18h00


Apresentação de livro

Quase Verdade como São Memórias,

de António Cartaxo

Com a presença do autor



Para o que der e vier,

um texto de António Cartaxo


Nunca escrevi diários nem apontei relances de vida, coisas de reflexão. Vivia à pressa, sem tempo a perder, em frente pelo tapete veloz da vida, decisões, e muitas indecisões, a rolarem. Não partilhava recordações, só eu sabia de mim. Os outros sabiam o que viam. Pessoa fechada, já se vê.

Isto até conhecer Rosa, mãe de meu filho, ou melhor, até este nascer e outra vida principiar. Comecei então a contar­‑lhe histórias da minha vida. E ela a dizer: tens de escrever as tuas memórias. Eu?! Tam­‑tam, tam­‑tam. Tens de escrever as tuas memórias, insistia, julgo que porque sentia, com parcialidade, ou com a objectividade possível, que aquilo que eu lhe contava valia a pena ser contado a outros.

Um pouco, também, porque sentia que as memórias me faziam feliz. É verdade.

As memórias fizeram­‑me quem eu sou. Tal como sucede a outros, sem memória ficaria num mar de desordem do presente, perdido do mundo e de mim mesmo.

Passavam os meses e os anos. No país onde vivíamos, da sala ao fundo da casa, soavam, ao piano, Bach, Chopin, Scriabin… Em estudo. Primeiro tenteantes, depois ganhando forma até à arquitectura da criação original, música de fundo para nova fase da vida.

A Rosa quis deixar a minha vida íntima. Faltou­‑lhe que eu lhe desse tempo romântico. Mas insistiria sempre: tens de escrever as tuas memórias. Tam­‑tam. Tam­‑tam. Já começaste? Para ele saber um dia.

Enfim, não só por uma questão familiar, abri o arquivo das recordações. Não escrevo com saudosismo nem com saudade, porque o meu lema é futuro. Está em epígrafe: “para o que der e vier”.

Arranjei maneira de associar, a cada longo instante, uma obra musical, músicas não para levar para a aventura numa ilha deserta, que não há e eu jamais demandaria, mas sem as quais eu não teria passado por este mundo como tenho passado.



O autor


António Cartaxo escreveu e publicou sobre diferentes interesses seus e agora escreve sobre a sua vida e o seu tempo. Sobre Cultura Inglesa e a didáctica do Inglês publicou, na Editorial Presença, These Islands e English Prose Composition. Palavras em Jogo (Editorial Caminho) foi uma incursão lúdica no charadismo que cultivou desde a adolescência no Jornal juvenil Mundo de Aventuras. A descoberta e a divulgação da grande música (Ao Sabor da Música e Efemérides Românticas, Editorial Caminho) foram o prolongamento das realizações radiofónicas que há mais de três décadas o autor produz para a Radiodifusão Portuguesa.

As suas dramaturgias radiofónicas mereceram-lhe diversos galardões internacionais: “Special Award” da BBC (Londres entre duas décadas); Você gosta de Beethoven e Bela Bartok e Nós, Prémio Pro Musica, Rádio Budapeste; Stravinsky – o Homem e a Obra, Prémio Ondas de Rádio Barcelona; Das Cinzas renasceu o Belo, Prix Musical Rádio Brno. Em 1987 foi Prémio Gazeta de Jornalismo, modalidade Rádio, com um programa sobre Fernando Lopes-Graça.

Nos 50 anos da entrada das Brigadas Internacionais na Guerra Civil de Espanha, realizou uma produção radiofónica que a Câmara de Barrancos editaria em CD em 1999, sessenta anos após o fim do conflito.

É autor de uma original versão radiofónica de Quadros de uma Exposição, de Mussorgsky. Transplantou a arte de fazer rádio para dois CD que acompanham os livros de Rosa Salvado Mesquita, O Meu Primeiro Mozart e O Meu Primeiro Chopin, publicados pela D. Quixote.

14 abril 2010

BPE volta a acolher o Concurso Nacional de Leitura


A BPE é mais uma vez palco de uma final distrital do Concurso Nacional de Leitura. Cerca de 30 jovens do Ensino Secundário e do 3º Ciclo do Ensino Básico do Distrito de Évora vão tentar provar que são os melhores entre os melhores leitores.


Tal como sucedeu em anos anteriores, e levando em conta a necessidade de promover a leitura nas escolas de uma forma lúdica, o Plano Nacional de Leitura – em articulação com a RTP, com a DGLB /Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas e com a rede das Bibliotecas Escolares – promove, no ano lectivo de 2009 / 2010, o Concurso Nacional de Leitura.


Tendo como objectivo estimular a prática da leitura entre os alunos do Ensino Secundário e do 3º Ciclo do Ensino Básico, o concurso pretende avaliar a leitura de obras literárias pelos estudantes desses graus de ensino.


O Concurso Nacional de Leitura decorre em três fases diferentes: a 1ª Fase, que se realizou nas escolas; a 2ª Fase, a realizar nas Bibliotecas Municipais designadas pela DGLB (no caso, na Biblioteca Pública de Évora); e a 3ª Fase, correspondente à Final Nacional, realizada em Lisboa em colaboração com a RTP.


À BPE coube a responsabilidade da escolha das obras sobre as quais vão ser testados conhecimentos, disponíveis em http://www.evora.net/bpe/Actividades/PNL/PNL_Lista_2010.htm.


Aos jovens leitores só nos resta desejar umas boas leituras e votos de um bom trabalho!

08 abril 2010

Amanhã na sua biblioteca


09 de Abril | Sexta-feira
18h00
Apresentação do livro
A LUZ DA CAL AO CANTO DO LUME: Tradição oral do concelho de Mora,
de Joaninha Duarte

Com a presença da autora

A biblioteca é por excelência o espaço da leitura, da memória, do imaginário, das histórias... Desta vez não são histórias que vão ser contadas, contudo é um livro sobre histórias que vai ser apresentado. Uma obra de uma autora que tem dedicado a sua vida à memória oral e literatura tradicional.
Aqui ficam algumas notas sobre o livro e a sua autora.

A obra
O concelho de Mora, guardião de um valioso património natural, histórico e cultural, é um exemplo da perseverança daqueles que acreditam na construção de um futuro melhor, assente no testemunho vivo da memória de um povo que se orgulha de ser alentejano.
A obra, fruto de dissertação de mestrado, pretende, de uma forma sumária, dar a conhecer o património imaterial do concelho, recolhido ao longo de dez anos. Esta recolha foi realizada através de vários projectos de animação sociocultural da Câmara Municipal, com vista ao desenvolvimento de pessoas e grupos na área da Literatura Tradicional, dando destaque ao aparecimento de soluções onde a tradição e a modernidade dialogam numa perspectiva intergeracional.

A autora
Dizem que… Joaninha Duarte é alentejana, enxertada de ribatejana e açoriana. Joaninha Duarte fez bacharelato em Educação de Infância na Escola Superior de Educadores de Infância Maria Ulrich (1982), licenciatura em Educação (2002), especialização em Animação Sociocultural (2002), pós-graduação em Literaturas
Românicas Modernas e Contemporâneas (2005), mestrado em Estudos Portugueses (2008) e prepara o seu doutoramento em Literatura Tradicional e Ambiente na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Desenvolve em Mora um trabalho de reabilitação da memória oral junto de anciãos. É responsável pelo Projecto Pedagógico “FALAS DO RIO” do Fluviário de Mora e simultaneamente colabora em Actividades Culturais da Câmara Municipal de Mora. É investigadora de Literatura Tradicional no IELT – Instituto de Estudos de Literatura Tradicional, da Universidade Nova de Lisboa. Como contadora de histórias pratica diariamente o acto de contar no Fluviário de Mora. Participa regularmente em Colóquios, Encontros, Oficinas de Trabalho e Sessões de Contos – bibliotecas, escolas, hospitais, prisões, associações, autarquias – em Portugal e no estrangeiro.

Organização: Edições Colibri | Apoio: BPE
ENTRADA LIVRE mediante inscrição prévia

30 março 2010

Dia Internacional do Livro Infantil 2010

06 | 07 | 08 de Abril
10h00-10h45 | 11h00-11h45

Atelier de Férias – Especial Comemoração Dia Mundial do Livro Infantil

A ÁRVORE DAS HISTÓRIAS

Dinamizadora: Catarina Claro

Em 2010, o Dia Internacional do Livro infantil coincide com a Sexta-feira Santa. Uma vez que a BPE está fechada ao público no dia 02 de Abril, vamos assinalar a data durante três dias na semana seguinte. Assim, nos dias 06, 07 e 08 de Abril a biblioteca vai-se encher de crianças para assistirem a sessões de contos e descobrir quantas árvores cabem numa biblioteca...

O Dia Internacional do Livro Infantil na BPE comemora-se com narração oral para os mais pequenos, num atelier de férias sobre contos que habitam o universo infantil.
Quantas árvores cabem numa… biblioteca? E quantas palavras moram numa árvore?
Vamos ouvir a história de uma árvore especial, que um dia trocou as maçãs pelos livros. Juntamente com as crianças vamos regá-la com imaginação e colher os frutos que ela tem para nos dar!

PÚBLICO: grupos do pré-escolar (crianças dos 3 aos 6 anos)
Máximo 20 participantes
GRATUITO mediante inscrição prévia
Para mais informações e inscrições 266 769 330

29 março 2010

Contos da Lua Cheia


Amanhã é noite de Lua Cheia, mas na BPE, a Lua avista-se mais cedo. É à hora habitual, às 18h00, que tem lugar mais uma sessão dos Contos da Lua Cheia.

Desta vez a contadora convidada é Ana Sofia Paiva, actriz de formação que tem dedicado os últimos anos da sua vida aos contos de raiz tradicional, Literatura Oral e Técnicas de Narração, leccionando alguns workshops na área da Narração Oral. Criou o projecto de contadores de histórias Cegarrega, ao qual se tem dedicado.
Veja mais em http://cegarrega-regacega.blogspot.com/ .

25 fevereiro 2010

Conhecer Cenáculo II


Conferência
O PAPEL DOS MEIOS DE INFORMAÇÃO NO EPISCOPADO DE D. FREI MANUEL DO CENÁCULO
1 de Março | Segunda-feira
18h00
Conferencista: Francisco Vaz
Assinalando o 286º aniversário do nascimento do fundador e patrono da Biblioteca Pública de Évora.
ENTRADA LIVRE mediante inscrição prévia

Foi um criterioso coleccionador de livros e tinha como uma das suas preocupações centrais criar hábitos de leitura nos futuros clérigos. Mantinha correspondência com grandes figuras da época, pelos quatro cantos do mundo, estando a par do que de melhor se editava. Tudo leva a crer que foi uma figura ímpar no seu tempo.

Aqui fica um excerto do texto AS BIBLIOTECAS E OS LIVROS NA OBRA DE D. FREI MANUEL DO CENÁCULO, da autoria do conferencista Francisco Vaz.

Coleccionando livros e formando uma Biblioteca Eclesiástica
"Logo nos primeiros anos do seu episcopado, D. Manuel do Cenáculo revelou grande preocupação pela formação do clero e deu recomendações precisas sobre o funcionamento da biblioteca, cuja frequência considera imprescindível para os futuros clérigos. O pequeno regulamento que apresentou para a biblioteca do Seminário de Beja, espelha no essencial o seu pensamento neste domínio. Considera necessário um Bibliotecário permanente, que seria auxiliado pelos alunos nas suas horas vagas, para que estes se fossem familiarizando com os livros e adquirindo assim hábitos de leitura. O horário de consulta devia ser restrito, às segundas e quintas de manhã. Estipula a formação de um catálogo com os livros existentes, os empréstimos domiciliários são proibidos e deve-se cuidar que os livros sejam tratados com asseio. Ao bibliotecário competia evitar que os ordinandos gastassem «demasiado tempo na leitura de livros curiosos; ainda que na outra parte sejam úteis; mas que os podem distrair da obrigação principal». Quanto ao número de volumes desta biblioteca eclesiástica ela rondaria os 9.000 ou mesmo 10.000 volumes.

A formação de uma biblioteca não se limitou na acção de Cenáculo ao clero ele continuou a sua paixão pelos livros e pelas leituras. As numerosas cartas que recebeu, durante os 28 anos que permaneceu em Beja, comprovam que foi juntando uma grande quantidade de livros, uns oferecidos, mas a grande maioria comprados, através de agentes ou dos próprios livreiros. Fizemos apenas uma sondagem à numerosa correspondência que lhe foi dirigida. Com ela é possível constatar que os livros e leituras são um tema constante, e que durante o seu episcopado Frei Manuel esteve permanentemente em contacto com os mais diversos locais. Na verdade, tinha uma autêntica rede de correspondentes distribuídos pelos quatro cantos do mundo. Sem esgotar o assunto enumeremos apenas alguns dos mais significativos de Portugal e do império português: Lisboa, Coimbra, Évora, Goa, Brasil, Macau e Timor. Das cidades estrangeiras: Roma, Pádua, Turim, Nápoles, Madrid, Sevilha, Paris, Londres, Bruxelas, Haia, Oxford, S. Petersburgo.

Foram sobretudo agentes e livreiros que o mantiveram informado sobre as novidades literárias, nomeadamente, sobre leilões de livros raros e que lhe enviaram notícias de obras recentes; tais foram Nicolau Pagliarini de Roma, Andrés Silva de Bruxelas, Francisco José Maria de Brito, Frei António Raimundo Pascual, que foi o seu principal fornecedor das obras de Raimundo Lulio, bem como dos aspectos relacionados com a filosofia luliana. Este último, numa das suas primeiras cartas, em 1752, revela o seu espanto perante o facto de a obra de Luís António Verney circular livremente em Espanha e passados 36 anos, em 1788, informa que a Enciclopédia francesa fora proibida em Espanha, porque trazia «desacatos à Nação espanhola e ao Rei» e que por isso doravante passavam a ser detidos na aduana as obras impressas fora de Espanha. Recorrendo a estes correspondentes e agentes, Cenáculo foi juntando um valioso espólio bibliográfico, numismático e mesmo de peças arqueológicas ou de História Natural; para constituir a biblioteca para o clero, mas também um museu, ambos no paço episcopal.

Data, também, dos últimos anos do seu episcopado em Beja o valioso contributo para a criação da Real Biblioteca Pública. De acordo com a correspondência que manteve com António Ribeiro dos Santos, o impulsionador desse projecto, não restam dúvidas que se tratou de uma doação substancial, pela quantidade de exemplares e pelo seu valor. Entre as obras doadas incluía-se um grande número de manuscritos, entre os quais se destacava um Bíblia em pergaminho do século XII, sobre cuja raridade e até importância para o dogma da Santíssima Trindade discorrerá mais tarde o Bibliotecário da Biblioteca Nacional. Feita a doação para a Real Biblioteca Pública restava-lhe, ainda, um espólio considerável. Parte desse património constituiu o núcleo da biblioteca eclesiástica de Beja, mas a grande fatia transitou para Évora, quando foi eleito Arcebispo, em 1802, e foi o núcleo a partir do qual se organizaram duas importantes instituições culturais: a Biblioteca e o Museu."

O texto completo encontra-se disponível na página da BPE na Internet em
http://www.evora.net/bpe/as_%20bibliotecas_%20e_%20livros.pdf.

03 fevereiro 2010

Cister a Sul do Tejo





Antónia Fialho Conde, investigadora assídua da Biblioteca Pública de Évora, apresenta o seu livro CISTER A SUL DO TEJO: O Mosteiro de S. Bento de Cástris e a Congregação Autónoma de Alcobaça (1567 – 1776), na BPE, já na próxima Sexta-feira, dia 05 de Fevereiro. A sessão tem lugar na Sala de Leitura, às 18.00 horas e conta com a presença da própria autora e de Joaquim Chorão Lavajo, Professor da Universidade de Évora, que fará a apresentação da obra. Na sessão vão estar presentes vários convidados da autora, entre eles José Albuquerque Carreiras, Presidente da Associação Portuguesa de Cister e Aurora Carapinha, Directora Regional de Cultura do Alentejo.


Antónia Fialho Conde é doutorada em História e mestre em Recuperação do Património Artístico e Arquitectónico. É Professora Auxiliar do Departamento de História da Universidade de Évora, onde lecciona nas áreas científicas de História Moderna e de Património, participando habitualmente em eventos científicos de âmbito nacional e internacional nestas temáticas.

Desenvolve trabalho de investigação no CIDEHUS (Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora) nos Grupos de Investigação 1 Sul e o Mediterrâneo: Dinâmicas Sociais e Culturais e 2 Património, Cultura Material e Arqueologia no Sul da Europa e no Mediterrâneo e faz parte da equipa do Centro HERCULES (Herança Cultural, Estudos e Salvaguarda) da Universidade de Évora.

26 junho 2009

Os livros e as bibliotecas no espólio de D. Frei Manuel do Cenáculo

Apresentação de livro

Os livros e as bibliotecas no espólio de D. Frei Manuel do Cenáculo,

de Francisco Vaz (coordenador)



30 de Junho Terça-feira
18.00 horas


Com a presença do autor
Apresentação por João Brigola

Entrada livre mediante inscrição prévia

A obra:

Este livro reúne uma parte substancial dos resultados de um projecto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, desenvolvido na Universidade de Évora e intitulado: Os Livros e as Bibliotecas no Espólio Bibliográfico de D. Frei Manuel do Cenáculo (1724-1814). Apresenta-se o repertório de textos manuscritos e inéditos de D. Frei Manuel do Cenáculo, com interesse para o tema do projecto e essencialmente existentes nos fundos bibliográficos da correspondência e do diário, que compreendem documentos dispersos por várias bibliotecas, a Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa, a Biblioteca Pública de Évora e a Biblioteca Nacional de Portugal. Além do repertório de todos os documentos coligidos, transcrevem-se na íntegra 248 textos de Frei Manuel do Cenáculo considerados essenciais para o tema em análise, nomeadamente, as cartas, as relações, os planos
de estudos, os róis de livros, que surgem muitas vezes anexos às cartas, e os catálogos de donativos a bibliotecas. Com a presente obra ficam à disposição dos investigadores e do público em geral informações relevantes para a História do Livro e das Bibliotecas e outras áreas em que a acção de Frei Manuel do Cenáculo está amplamente comprovada: as antiguidades, a arqueologia, o ensino, a pedagogia, a filologia, a museologia, a literatura e o reformismo social e económico.


O autor:

Francisco António Lourenço Vaz

Nasceu em Pinelo, concelho de Vimioso, em 1955. É Licenciado em História pela Universidade do Porto, Mestre em História Cultural e Política pela Universidade Nova de Lisboa, Doutor em História da Cultura Moderna e Contemporânea, pela Universidade de Évora. É Professor Auxiliar com Agregação, do Departamento de História da Universidade de Évora, Investigador do Centro de História e Filosofia da Ciência e Director dos Curso de Mestrado em Ciências da Informação e da Documentação.
Entre os trabalhos que publicou destacam-se: As Ideias Pedagógicas em Portugal nos Fins do Século XVIII – Bento José de Sousa Farinha (1992); A Difusão das Ideias Económicas de António Genovesi em Portugal (1999); Évora Lastimosa e Outros Textos Sobre o Saque de Évora pelos Franceses em 1808 (2002); As Bibliotecas e os Livros na Vida e Obra de D. Frei Manuel do Cenáculo ( 2003); Livros e Leituras para Instrução Económica do Povo (2004), Frei Manuel do Cenáculo Construtor de Bibliotecas (2006); O Saque de Évora pelos Franceses em 1808. Textos Históricos (2008). Na tese de doutoramento, intitulada Instrução e Economia as Ideias Económicas no Discurso da Ilustração Portuguesa (1746-1820), Lisboa, 2002, traça com pormenor a afirmação da Economia na transição do Antigo Regime para o Liberalismo e analisa as ideias e projectos de três dos nomes mais representativos
do movimento das Luzes em Portugal: D. Frei Manuel do Cenáculo, Ricardo Raimundo Nogueira e José António de Sá.


Frei Manuel do Cenáculo (1724-1814) – uma figura inspiradora.
Um mecenas com projectos, um intelectual culto, informado e aberto ao mundo


João Carlos Brigola. Universidade de Évora e Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência (CEHFCi)

A publicação pela Biblioteca Nacional de Portugal da obra intitulada Os livros e as bibliotecas no espólio de D. Frei Manuel do Cenáculo, coordenado pelo docente da Universidade de Évora, Francisco Vaz, constitui um pretexto mais para invocarmos a figura inspiradora de Cenáculo.
Houve na vida do frade franciscano um momento de criação original que lhe haveria de moldar a personalidade e alimentar o ideário: a viagem que empreendeu a Itália com apenas vinte e seis anos. O Grand Tour tornara-se por essa época um programa obrigatório para a formação das elites europeias, pela aprendizagem visual e experimental das formas de governo e de cultura de outros povos, bem como dos testemunhos materiais e morais da antiga civitas romana. Para um jovem português, proveniente de um território geograficamente periférico, de uma nação sedentária formatada em vivências tradicionalmente castiças e gregárias, mergulhar numa jornada de vários meses por cidades espanholas, francesas e italianas, visitando bibliotecas, museus e universidades, viria a representar uma autêntica redenção espiritual. Em Roma encontraria aliás um dos seus maître a penser, modelo de intelectual católico, progressivo e ilustrado, que perseguiu durante toda a sua longa vida – o prefeito da Biblioteca Vaticana, e arcebispo de Brescia, Angelo Maria Querini. Nesse mesmo ano de 1750, Querini fez pública doação da imponente biblioteca particular, em parte retirada do Vaticano, aos povos da sua diocese. Gesto que veremos Cenáculo assumir, mimeticamente, em 1811 na cidade alentejana. Instituições de criação episcopal, continuam a cumprir hoje, na Lombardia como no Alentejo, a missão e a vocação de serviço público traçadas há dois séculos. É esta pulsão cosmopolita que constitui um dos aspectos mais originais da sua forma mentis: correspondência copiosa com intelectuais europeus, informação actualizada e aquisição de novidades bibliográficas e de objectos da Arte e da Natureza, visita constante de estrangeiros à sua residência episcopal, biblioteca e museu, algumas delas relatadas em livros de viagem ou em epistolário (Anasthasio Franco y Bebrinsaez, Rafael Rodríguez Mohedano, Francisco Pérez Bayer, James Murphy, José Cornide y Saavedra).
Mas a modernidade da praxis cultural do intelectual comprometido com o seu tempo, e com os ‘Povos’ da sua pastoral, pode igualmente ser avaliada por gestos de fundo e prolongado significado. Dele se tem dito que foi um ‘semeador de bibliotecas e de museus’, característica que a obra agora editada permite comprovar através da divulgação de vasta documentação inédita: Cenáculo foi um ‘acumulador’ de livros e de objectos, um organizador incansável de colecções, mas simultaneamente um ‘doador mecenático’ de acervos fundadores de novas bibliotecas e museus – no Convento de Jesus, em Lisboa, nos Paços de Beja e de Évora, e na Biblioteca Pública da Corte, só para citar espaços culturais de maior relevo. É o próprio Diário, escrito do seu punho, que celebra a fundação do acervo eborense: “7 de Dezembro de 1804: vim para casa e fui levar o painel do Senhor entre os Doutores no Templo e colocá-lo na Frontaria da Biblioteca por ser o orago da casa e Museu”.
Um terceiro veio do ideário cenaculano é também largamente comprovável neste acervo epistolar e diarístico, que é o do seu compromisso com a sensibilidade regalista e jansenista, com resultados doutrinários anti-jesuíticos, coerente com a aceitação da filosofia política do ‘absolutismo esclarecido’ então dominante no josefismo português e praticado pela maioria das coroas europeias. Até ao cair do pano pombalino, Frei Manuel do Cenáculo foi - aceitando-se a fórmula feliz de Raymond Aron - ‘Conselheiro do Príncipe’ e ‘Confidente da Providência’. Encerrado o ciclo do homo politicus com a Viradeira, ‘o pastor de almas alentejano’ não renegou heterodoxias, antes as plasmou num programa de ‘cuidados literários’ na formação teológica e humanística dos seus clérigos. Curioso é folhear este livro, que contou com o labor investigativo de Patrícia Monteiro e de Márcia Oliveira, e (re)descobrir a revelação da escrupulosa pietas do homem da Igreja, leitor quotidiano da Bíblia e cumpridor dos rituais de oração.
Em jeito celebrativo, há que recordar duas datas merecedoras de invocação da memória: em 2011, os duzentos anos da doação pública da biblioteca e do museu e, sobretudo, em 2014, o bicentenário da morte de D. Frei Manuel do Cenáculo Vilas Boas, arcebispo de Évora.

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