Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens

21 fevereiro 2011

Apresentação do livro Gente comum, de Aurora Rodrigues


26 Fevereiro | Sábado | 16h30

Apresentação do livro

GENTE COMUM – uma história na PIDE,
de
Aurora Rodrigues

Apresentação por Diana Andringa e Afonso de Albuquerque

Organização: Editora 100luz | Livraria na sombra dos livros, lda | Biblioteca Pública de Évora
Público: geral

Entrada livre mediante inscrição prévia

08 setembro 2010

Inauguração da Exposição LETRAS E CORES, IDEIAS E AUTORES DA REPÚBLICA


No ano em que se comemoram cem anos sobre a implantação da República, a DGLB concebeu uma exposição a partir de textos de autores que marcaram decisivamente a cultura humanístico-literária em Portugal no final do século XIX e início do século XX, convidando dez ilustradores a tratar plasticamente dez temas representativos do contexto social, político, cívico e cultural da época.

O resultado mostra de que forma literatura e arte, passado e presente, se podem cruzar de forma coerente e harmoniosa, dando corpo a um percurso fulcral da história portuguesa contemporânea: o triunfo da ideia republicana de cidadania, a instauração do regime, a participação de Portugal na I Grande Guerra e a vida política, social, cultural e artística deste período.

A exposição, patente até dia 12 de Novembro, completa-se com a mostra de periódicos e livros da época provenientes do espólio da BPE, reveladores dos acontecimentos mais marcantes no processo de transição do regime monárquico para a República.



CONFERÊNCIA DE ABERTURA
16 de Setembro | Quinta-feira | 18h30 | BPE

Orador: Alfredo Caldeira

Administrador do Arquivo & Biblioteca da Fundação Mário Soares, a sua intervenção tem-se desenvolvido, essencialmente, no âmbito da utilização de sistemas informáticos em arquivos e bibliotecas, na organização de exposições e colóquios de natureza cultural e no desenvolvimento de relações de cooperação com os países de língua oficial portuguesa. Autor de diversas publicações de cariz histórico, jurídico e político, participa frequentemente em iniciativas culturais e de divulgação.

Organização: Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas | Biblioteca Pública de Évora
ENTRADA LIVRE mediante inscrição prévia


07 setembro 2010

Setembro na sua biblioteca













Todas as quartas-feiras, às 10h00 e às 15h00

PRAZER EM CONHECER

Visita guiada

Dinamização: Equipa da BPE

Público: grupos organizados (crianças, jovens ou adultos)

Nº de Participantes: até 30 por grupo

Preço: Entrada livre mediante marcação prévia

Marcações: Tel. 266 769 332 ou ficha de inscrição em www. http://www.evora.net/bpe


A Biblioteca Pública de Évora põe à disposição de todos os interessados, particularmente da comunidade educativa, o programa Prazer em Conhecer, com o fim de proporcionar uma apresentação da Biblioteca, das suas colecções e serviços, com destaque para o empréstimo domiciliário e a referência.

Esta acção chama também a atenção para a figura de Frei Manuel do Cenáculo e para os 200 anos da Biblioteca Pública e ainda, para as preciosas colecções que esta tem à sua guarda.

Prazer em Conhecer foi planeado para ser uma visita agradável e gratificante para todos os participantes. Desdobra-se em actividades diversas de acordo com as várias faixas etárias, podendo acolher grupos desde o ensino pré-escolar ao universitário e também adultos.





















CANCELADO | NOVA SESSÃO A 12/10

07 Setembro (terça-feira), às 21h00

GRUP’ECO

Grupo de Leitura

LIVRO DO MÊS: Adoecer, de Hélia Correia | Editora Difel

Dinamização: Possidónio Cachapa

Periodicidade: 1 vez por mês

Público: leitores adultos

Nº de Participantes: até 15

Preço: Entrada livre mediante inscrição prévia

Inscrições: Tel. 266 769 332 ou ficha de inscrição em http://www.evora.net/bpe


A leitura de um livro que despoleta uma reacção de agrado ou desagrado! Porquê? Uma reflexão sobre a sua temática, sobre a veracidade dos seus personagens! Parecem-lhe reais? Com quem simpatiza? Seleccionar excertos, descortinar mensagens! Há uma parte ou cena particularmente interessante? O que é que lhe diz sobre o seu autor? Lembra-lhe alguma outra coisa? Quer ler mais do mesmo autor? Se ganhou um prémio, será que o mereceu?

Ler é uma actividade solitária, mas quando um livro nos toca ou estimula, é natural querer discuti-lo com outra pessoa. Um grupo de leitura dá-lhe essa oportunidade e encoraja-o/a a pensar um pouco mais sobre os livros que leu – porque gosta de uns e detesta outros.

Venha fazer amigos à volta dos livros e de uma bebida. Trocar opiniões, concordar ou discordar para conhecer melhor os livros e os seus autores.
















08 Setembro (quarta-feira), às 15h00

GASPACHO DE LETRAS

Grupo de Leitura Juvenil

LIVRO DO MÊS: O gorro vermelho, de Ana Saldanha | Editorial Presença

Dinamização: Catarina Claro

Periodicidade: 1 vez por mês

Público: Jovens leitores, dos 10 aos 13 anos

Nº de Participantes: até 15

Preço: Entrada livre mediante inscrição prévia

Inscrições: Tel. 266 769 332 ou ficha de inscrição em http://www.evora.net/bpe


Adorei, detestei ou foi-me indiferente? Começamos com a reacção de cada leitor ao livro proposto e partimos num jogo de descoberta… dos temas que envolve, da mensagem que nos chega, das personagens que nos encantam, ou não! E o seu autor… será que o conseguimos conhecer a partir do que escreveu?

E quando estamos todos em desacordo? Conseguimos respeitar opiniões e gostos, discutindo-os, contestando-os com os nossos argumentos?!

Esta é uma actividade sobre a leitura onde quem constrói cada sessão é o próprio grupo, com as suas opiniões e com a orientação atenta da dinamizadora que propõe as obras. Um estímulo ao gosto pela leitura, num espaço que promove o desenvolvimento de um espírito crítico consciente e responsável.





















16 Setembro (quinta-feira), às 18h30

INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO

LETRAS E CORES, IDEIAS E AUTORES DA REPÚBLICA


No ano em que se comemoram cem anos sobre a implantação da República, a DGLB concebeu uma exposição a partir de textos de autores que marcaram decisivamente a cultura humanístico-literária em Portugal no final do século XIX e início do século XX, convidando dez ilustradores a tratar plasticamente dez temas representativos do contexto social, político, cívico e cultural da época.

O resultado mostra de que forma literatura e arte, passado e presente, se podem cruzar de forma coerente e harmoniosa, dando corpo a um percurso fulcral da história portuguesa contemporânea: o triunfo da ideia republicana de cidadania, a instauração do regime, a participação de Portugal na I Grande Guerra e a vida política, social, cultural e artística deste período.

A exposição, patente até dia 12 de Novembro, completa-se com a mostra de periódicos da época provenientes do espólio da BPE, reveladores dos acontecimentos mais marcantes no processo de transição do regime monárquico para a República.


CONFERÊNCIA DE ABERTURA

Orador Alfredo Caldeira

Público Geral

Administrador do Arquivo & Biblioteca da Fundação Mário Soares, a sua intervenção tem-se desenvolvido, essencialmente,

no âmbito da utilização de sistemas informáticos em arquivos e bibliotecas, na organização de exposições

e colóquios de natureza cultural e no desenvolvimento de relações de cooperação com os países de língua oficial

portuguesa. Autor de diversas publicações de cariz histórico, jurídico e político, participa frequentemente em iniciativas

culturais e de divulgação.


Organização: Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas | Biblioteca Pública de Évora

ENTRADA LIVRE mediante inscrição prévia




















23 Setembro (quinta-feira), às 18h00

CONTOS DE LUA CHEIA

Concepção e execução: Trimagisto

Periodicidade: 1 vez por mês

Público: Pais e crianças a partir dos 3 anos

Preço: Entrada livre mediante inscrição prévia


Pela lua cheia, contos populares nas vozes de contadores especialistas nesta arte. Para pais e filhos.
















24 Setembro (sexta-feira), às 18h00

CICLO GUTEMBERG, LUMIÉRE E COMPANHIA

Cinema na Biblioteca

FILME DO MÊS: Uma História Simples (The Straight Story), de David Lynch (1999)

Periodicidade: 1 vez por mês

Público: M/12

Preço: Entrada livre


Aos 73 anos, Alvin Straight (Richard Farnsworth) recebe um telefonema que o põe a par do delicado estado de saúde do seu irmão. Há mais de dez anos que Alvin e Lyle (Harry Dean Stanton) estão de relações cortadas. As últimas palavras que dirigiram um ao outro na altura foram ditas no calor de uma terrível discussão e, desde aquele momento, as centenas de quilómetros que os separavam tornaram-se ainda maiores. A fraqueza nas pernas obriga Alvin a apoiar-se em canadianas para andar e a falta de vista não lhe permite ter a carta de condução. Mas, apesar disso, liga a sua máquina de cortar relva e faz-se à estrada, ao encontro de Lyle. O longo caminho vai permitir-lhe conhecer personagens muito interessantes... "Uma História Simples" valeu ao controverso Lynch uma nomeação para a Palma de Ouro em Cannes e Richard Farnsworth viu o seu nome indicado para um Óscar.












27 Setembro, (segunda-feira), às 18h30

TRADIÇÃO E REVOLUÇÃO: A MEMÓRIA AO SERVIÇO DA RENOVAÇÃO

Conferência

Orador: Dr.ª Kim-Diêu

Presidente da Federação Europeia da Sociedade Teosófica

Público: geral

Preço: Entrada livre


















30 Setembro (quinta-feira), às 21h30

RODA DE LEITURA

MEMORIAL DO CONVENTO

Concepção e execução: BPE

Periodicidade: bimestral

Público: M/12

Nº de Participantes: até 50

Preço: Entrada livre mediante inscrição prévia

Inscrições: Tel. 266 769 332 ou ficha de inscrição em http://www.evora.net/bpe


Sessão de leitura colectiva, conduzida pelo leitor-guia Prof. Carlos Reis,

Em volta da obra de José Saramago e do seu livro “Memorial do Convento”.

Ensaísta e professor, Carlos Reis é licenciado em Filologia Românica e

doutorou-se em Literatura Portuguesa, pela Universidade de Coimbra. Tem

leccionado Literatura Portuguesa, Teoria da Literatura, Literatura Espanhola e

Estudos Queirosianos. Prestigiado Professor Catedrático, tem sido convidado

em muitas outras Universidades, a saber: Espanha, Alemanha, Brasil e Estados

Unidos da América. Especializado em Literatura Portuguesa dos séculos XIX e

XX e em Teoria da Narrativa, publicou sobre esta área vários livros de prestígio

internacional e assinou dezenas de artigos em diversas revistas universitárias.

Publicou entre outras obras, Diálogos com José Saramago, em 1998.



Mais informações sobre a programação da Biblioteca Pública de Évora em http://www.evora.net/bpe/inicial5.htm ou através do telefone 266 769 330.

03 fevereiro 2010

Cister a Sul do Tejo





Antónia Fialho Conde, investigadora assídua da Biblioteca Pública de Évora, apresenta o seu livro CISTER A SUL DO TEJO: O Mosteiro de S. Bento de Cástris e a Congregação Autónoma de Alcobaça (1567 – 1776), na BPE, já na próxima Sexta-feira, dia 05 de Fevereiro. A sessão tem lugar na Sala de Leitura, às 18.00 horas e conta com a presença da própria autora e de Joaquim Chorão Lavajo, Professor da Universidade de Évora, que fará a apresentação da obra. Na sessão vão estar presentes vários convidados da autora, entre eles José Albuquerque Carreiras, Presidente da Associação Portuguesa de Cister e Aurora Carapinha, Directora Regional de Cultura do Alentejo.


Antónia Fialho Conde é doutorada em História e mestre em Recuperação do Património Artístico e Arquitectónico. É Professora Auxiliar do Departamento de História da Universidade de Évora, onde lecciona nas áreas científicas de História Moderna e de Património, participando habitualmente em eventos científicos de âmbito nacional e internacional nestas temáticas.

Desenvolve trabalho de investigação no CIDEHUS (Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora) nos Grupos de Investigação 1 Sul e o Mediterrâneo: Dinâmicas Sociais e Culturais e 2 Património, Cultura Material e Arqueologia no Sul da Europa e no Mediterrâneo e faz parte da equipa do Centro HERCULES (Herança Cultural, Estudos e Salvaguarda) da Universidade de Évora.

26 junho 2009

Os livros e as bibliotecas no espólio de D. Frei Manuel do Cenáculo

Apresentação de livro

Os livros e as bibliotecas no espólio de D. Frei Manuel do Cenáculo,

de Francisco Vaz (coordenador)



30 de Junho Terça-feira
18.00 horas


Com a presença do autor
Apresentação por João Brigola

Entrada livre mediante inscrição prévia

A obra:

Este livro reúne uma parte substancial dos resultados de um projecto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, desenvolvido na Universidade de Évora e intitulado: Os Livros e as Bibliotecas no Espólio Bibliográfico de D. Frei Manuel do Cenáculo (1724-1814). Apresenta-se o repertório de textos manuscritos e inéditos de D. Frei Manuel do Cenáculo, com interesse para o tema do projecto e essencialmente existentes nos fundos bibliográficos da correspondência e do diário, que compreendem documentos dispersos por várias bibliotecas, a Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa, a Biblioteca Pública de Évora e a Biblioteca Nacional de Portugal. Além do repertório de todos os documentos coligidos, transcrevem-se na íntegra 248 textos de Frei Manuel do Cenáculo considerados essenciais para o tema em análise, nomeadamente, as cartas, as relações, os planos
de estudos, os róis de livros, que surgem muitas vezes anexos às cartas, e os catálogos de donativos a bibliotecas. Com a presente obra ficam à disposição dos investigadores e do público em geral informações relevantes para a História do Livro e das Bibliotecas e outras áreas em que a acção de Frei Manuel do Cenáculo está amplamente comprovada: as antiguidades, a arqueologia, o ensino, a pedagogia, a filologia, a museologia, a literatura e o reformismo social e económico.


O autor:

Francisco António Lourenço Vaz

Nasceu em Pinelo, concelho de Vimioso, em 1955. É Licenciado em História pela Universidade do Porto, Mestre em História Cultural e Política pela Universidade Nova de Lisboa, Doutor em História da Cultura Moderna e Contemporânea, pela Universidade de Évora. É Professor Auxiliar com Agregação, do Departamento de História da Universidade de Évora, Investigador do Centro de História e Filosofia da Ciência e Director dos Curso de Mestrado em Ciências da Informação e da Documentação.
Entre os trabalhos que publicou destacam-se: As Ideias Pedagógicas em Portugal nos Fins do Século XVIII – Bento José de Sousa Farinha (1992); A Difusão das Ideias Económicas de António Genovesi em Portugal (1999); Évora Lastimosa e Outros Textos Sobre o Saque de Évora pelos Franceses em 1808 (2002); As Bibliotecas e os Livros na Vida e Obra de D. Frei Manuel do Cenáculo ( 2003); Livros e Leituras para Instrução Económica do Povo (2004), Frei Manuel do Cenáculo Construtor de Bibliotecas (2006); O Saque de Évora pelos Franceses em 1808. Textos Históricos (2008). Na tese de doutoramento, intitulada Instrução e Economia as Ideias Económicas no Discurso da Ilustração Portuguesa (1746-1820), Lisboa, 2002, traça com pormenor a afirmação da Economia na transição do Antigo Regime para o Liberalismo e analisa as ideias e projectos de três dos nomes mais representativos
do movimento das Luzes em Portugal: D. Frei Manuel do Cenáculo, Ricardo Raimundo Nogueira e José António de Sá.


Frei Manuel do Cenáculo (1724-1814) – uma figura inspiradora.
Um mecenas com projectos, um intelectual culto, informado e aberto ao mundo


João Carlos Brigola. Universidade de Évora e Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência (CEHFCi)

A publicação pela Biblioteca Nacional de Portugal da obra intitulada Os livros e as bibliotecas no espólio de D. Frei Manuel do Cenáculo, coordenado pelo docente da Universidade de Évora, Francisco Vaz, constitui um pretexto mais para invocarmos a figura inspiradora de Cenáculo.
Houve na vida do frade franciscano um momento de criação original que lhe haveria de moldar a personalidade e alimentar o ideário: a viagem que empreendeu a Itália com apenas vinte e seis anos. O Grand Tour tornara-se por essa época um programa obrigatório para a formação das elites europeias, pela aprendizagem visual e experimental das formas de governo e de cultura de outros povos, bem como dos testemunhos materiais e morais da antiga civitas romana. Para um jovem português, proveniente de um território geograficamente periférico, de uma nação sedentária formatada em vivências tradicionalmente castiças e gregárias, mergulhar numa jornada de vários meses por cidades espanholas, francesas e italianas, visitando bibliotecas, museus e universidades, viria a representar uma autêntica redenção espiritual. Em Roma encontraria aliás um dos seus maître a penser, modelo de intelectual católico, progressivo e ilustrado, que perseguiu durante toda a sua longa vida – o prefeito da Biblioteca Vaticana, e arcebispo de Brescia, Angelo Maria Querini. Nesse mesmo ano de 1750, Querini fez pública doação da imponente biblioteca particular, em parte retirada do Vaticano, aos povos da sua diocese. Gesto que veremos Cenáculo assumir, mimeticamente, em 1811 na cidade alentejana. Instituições de criação episcopal, continuam a cumprir hoje, na Lombardia como no Alentejo, a missão e a vocação de serviço público traçadas há dois séculos. É esta pulsão cosmopolita que constitui um dos aspectos mais originais da sua forma mentis: correspondência copiosa com intelectuais europeus, informação actualizada e aquisição de novidades bibliográficas e de objectos da Arte e da Natureza, visita constante de estrangeiros à sua residência episcopal, biblioteca e museu, algumas delas relatadas em livros de viagem ou em epistolário (Anasthasio Franco y Bebrinsaez, Rafael Rodríguez Mohedano, Francisco Pérez Bayer, James Murphy, José Cornide y Saavedra).
Mas a modernidade da praxis cultural do intelectual comprometido com o seu tempo, e com os ‘Povos’ da sua pastoral, pode igualmente ser avaliada por gestos de fundo e prolongado significado. Dele se tem dito que foi um ‘semeador de bibliotecas e de museus’, característica que a obra agora editada permite comprovar através da divulgação de vasta documentação inédita: Cenáculo foi um ‘acumulador’ de livros e de objectos, um organizador incansável de colecções, mas simultaneamente um ‘doador mecenático’ de acervos fundadores de novas bibliotecas e museus – no Convento de Jesus, em Lisboa, nos Paços de Beja e de Évora, e na Biblioteca Pública da Corte, só para citar espaços culturais de maior relevo. É o próprio Diário, escrito do seu punho, que celebra a fundação do acervo eborense: “7 de Dezembro de 1804: vim para casa e fui levar o painel do Senhor entre os Doutores no Templo e colocá-lo na Frontaria da Biblioteca por ser o orago da casa e Museu”.
Um terceiro veio do ideário cenaculano é também largamente comprovável neste acervo epistolar e diarístico, que é o do seu compromisso com a sensibilidade regalista e jansenista, com resultados doutrinários anti-jesuíticos, coerente com a aceitação da filosofia política do ‘absolutismo esclarecido’ então dominante no josefismo português e praticado pela maioria das coroas europeias. Até ao cair do pano pombalino, Frei Manuel do Cenáculo foi - aceitando-se a fórmula feliz de Raymond Aron - ‘Conselheiro do Príncipe’ e ‘Confidente da Providência’. Encerrado o ciclo do homo politicus com a Viradeira, ‘o pastor de almas alentejano’ não renegou heterodoxias, antes as plasmou num programa de ‘cuidados literários’ na formação teológica e humanística dos seus clérigos. Curioso é folhear este livro, que contou com o labor investigativo de Patrícia Monteiro e de Márcia Oliveira, e (re)descobrir a revelação da escrupulosa pietas do homem da Igreja, leitor quotidiano da Bíblia e cumpridor dos rituais de oração.
Em jeito celebrativo, há que recordar duas datas merecedoras de invocação da memória: em 2011, os duzentos anos da doação pública da biblioteca e do museu e, sobretudo, em 2014, o bicentenário da morte de D. Frei Manuel do Cenáculo Vilas Boas, arcebispo de Évora.

20 junho 2008

Filosofia e História da Ciência - Lançamento de Livro

Alguns nomes se destacam, a par de outros que são também analisados: Luís Archer, Vitorino de Sousa Alves, Manuel Antunes, Alfredo Dinis, empreendendo um combate comum pela concepção da ciência ao serviço da dignidade da pessoa humana, convergindo num humanismo científico que encara a técnica ao serviço da nobreza do espírito e deixa de entender, por isso, a ciência como inimiga da religião e da espiritualidade, mas antes como sua manifestação.

Aproximando-nos do final do século, a tendência que nos mostram os autores deste trabalho é a que se dirige ao aprofundamento da epistemologia, sobretudo das novas epistemologias em torno de Koyré, Canguillem, Bachelard, Popper, Kuhn e outros, destacando a importância inegável do magistério de Fernando Gil e de duas publicações periódicas onde estas questões encontram lugar próprio: a Análise e Filosofia e Epistemologia.

Não esquecendo a pretensão de Rodrigues Martins, que acima expressámos, este livro dá-nos também uma informação precisa sobre aspectos relevantes da história da ciência em Portugal no século XX, seja no âmbito dos congressos científicos, seja no que se refere a instituições de relevo, como a Universidade de Coimbra e a Academia das Ciências, sem esquecer a análise da obra dos três grandes historiadores da ciência no Portugal do século passado: Joaquim de Carvalho, Luís de Albuquerque e Rómulo de Carvalho.

Ao cabo de uma leitura cuidada, fica-nos a impressão de um espaço articulado de tantas e tão complexas tendências, abordadas com a preocupação de conciliar a vertente erudita e problematizadora com a vertente pedagógica de divulgação de uma das áreas menos conhecidas da cultura portuguesa do século XX.


Estas foram as palavras com que Pedro Calafate (Centro de Filosofia - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) terminou o Prefácio de Filosofia e História da Ciência em Portugal no século XX. O lançamento desta obra decorreu ontem, dia 19 de Junho, ao fim da tarde, na Biblioteca Pública de Évora, em que após breves palavras do Director, Pedro Calafate apresentou em traços gerais o conteúdo da obra. Aproveitou também para tecer alguns elogios sobre "a capacidade de trabalho em conjunto" dos três autores e amigos, que mostraram "coerência [de escrita e ideias] do princípio ao fim" da obra, algo que P. Calafate confessou ser difícil de encontrar noutras monografias escritas em conjunto.

Augusto Fitas (Doutorado em Física) começou por levantar um pouco o véu sobre como surgira este projecto. Afirmou que P. Calafate tivera alguma responsabilidade na escolha da "ideia fundamental do tema". Até aqui, em Portugal "não havia nada sobre as ideias ligadas à construção e história do pensamento científico", segundo A. Fitas, e a "Filosofia da Ciência era feita à margem da História e a História da Ciência era feita à margem da Filosofia (...), daí a preocupação em juntar estas perspectivas", completou mais tarde Marcial Rodrigues (Licenciado em Filosofia).

Maria de Fátima Nunes (Doutorada em História) acabou por desvendar que o "motor de arranque" e o principal responsável pelo iniciar do projecto fora M. Rodrigues. A obra resultou da continuação de uma investigação iniciada à dez anos no Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência, que viria a ser publicada em 2000, sob a direcção de P. Calafate - História do Pensamento Filosófico Português.

Esta monografia, que nas palavras de A. Fitas "nenhum dos capítulo foi escrito a duas mãos, mas que resultam de três leituras", veio à luz como "resultado de três formações muito diferentes: Física, Filosofia, História".

Marcial Rodrigues terminou a sessão de lançamento com algumas palavras de Fernando Gil, a propósito das recessões críticas encerradas na obra sobre os vários autores abordados: "O autor deve ser críticado e poder responder às críticas ainda em vida".


visões, neurónios & afectos