28 julho 2008

Senhor Arcebispo, criado para todo o serviço

No fim de semana de 26 e 27 de Julho decorreu na Biblioteca Pública de Évora uma peça de Teatro de Marionetas, cuja organização resultou de uma parceria entre o PIM Teatro e o Museu de Évora e a BPE.

No âmbito da recordação dos 200 anos da invasão e saque de Évora pelas tropas francesas (1808), os organizadores promoveram este espectáculo com o objectivo de explicar aos mais novos o que se passou nesta data em Évora, mais concretamente no Museu e na Biblioteca.

Ao mote de "Igualdade, Fraternidade e Liberdade", foi apresentado um teatro de marionetas cómico, em que a personagem de Frei Manuel do Cenáculo mostrou os antagonismos sociais ocorridos durante o saque.


09 julho 2008

A Literatura de Viagens na Biblioteca Pública de Évora


"A colecção da Biblioteca Pública de Évora é tão rica e diversificada que dela se podem extrair praticamente tantas colecções quantas as que a nossa imaginação e criatividade possam conceber."

José António Calixto
Director da Biblioteca Pública de Évora


No âmbito da relugar colaboração entre a Biblitoteca Pública de Évora (BPE) e o Centro Interdisciplinar de História, Cultura e Sociedades da Universidade de Évora (CIDEHUS-UE), foi realizado o levantamento e catalogação dos fundos bibliográficos relativos à Literatura de Viagens na Sala de Leitura Geral da BPE. Este trabalho também foi realizado durante um Estágio na BPE em Organização e Promoção de Eventos.


Na sequência do levantamento bibliográfico concebeu-se uma exposição com algumas destas espécies bibliográficas, ilustrativas da importância desta temática. A inauguração desta exposição intitulada "A Literatura de Viagens na Biblioteca Pública de Évora" foi no passado dia 3 de Julho.


A abertura da exposição foi feita com uma Conferência: "Em volta de um projecto: A Literatura de Viagens na Biblioteca Pública de Évora". Nesta foi explicada a importância deste vasto e multifacetado corpus documental, que tem levado investigadores, principalmente oriundos das Ciências Sociais e Humanas, a prestarem-lhe uma crescente atenção.


Para quem não teve oportunidade ainda de visitar a exposição, esta irá estar patente na Sala de Leitura Geral da Biblioteca Pública de Évora até dia 25 de Julho.

02 julho 2008

Conferência: "História da Leitura no Brasil"


O Prof. Nelson Shapochnik da Faculdade de S. Paulo, deu-nos a honra da sua presença na Biblioteca Pública de Évora, na conferência que se realizou no dia 26 de Junho pelas 18h.

Segundo o Prof. Nelson a leitura brasileira possui alguma tradição que remonta aos anos 1940-50, época em que as Associações brasileiras de Literatura Comparada publicavam os seus textos críticos em revistas, jornais e crónicas. Dentro dessas associações destacam-se alguns escritores e críticos brasileiros, como José Brito Broca e Raimundo de Magalhães Júnior que foram auto-didactas e pioneiros na forma como abordavam a leitura no Brasil.

De acordo com alguns dos seus ensaios literários havia três tipos de leitores: o ingénuo, o sensual e o ideal. O leitor ingénuo é aquele que salta capítulos para chegar ao fim da história. O leitor sensual é aquele que acha que todos os capítulos são "autênticas viagens de leitura" e que o fim da história não é parte mais importante. O leitor ideal é aquele que sabe interpretar a mensagem do autor na obra.

Durante esta época dita "livresca" os críticos brasileiros detinham um papel crucial na sociedade, porque pretendiam estimular os leitores para uma boa leitura. Esses críticos brasileiros afirmavam que "cada leitura é unica" e como tal é esta uma "acção do presente". O Prof. Nelson afirmou ainda que nos anos 1940-50 era usual entre os leitores afirmarem "diz-me qual a editora que lês e eu te direi quem és" para fazerem a distinção entre as editoras existentes e os escritores mais lidos pelo público.

Nos anos 70, e de acordo com as estatísticas das bibliotecas brasileiras, os leitores brasileiros demonstravam a sua preferência por escritores estrangeiros tais como: Alexandre Dumas, Miguel Cervantes, Alexandre Herculano, no entanto também havia uma certa afluência por escritores menos conhecidos internacionalmente. Existia uma certa circularidade na Leitura.

O Prof. Nelson concluiu a sua intervenção afirmando que a leitura no Brasil transcende fronteiras físicas e que o livro deixou de ser um mero "objecto de prateleira" de alguns elitistas, para se tornar num "objecto de consumo para todos".

Apresentação do Livro : À Flor da Pele


Teve lugar na BPE, no dia 20 de Junho pelas 18h30 a apresentação do livro À Flor da Pele do poeta e crítico de poesia, António Carlos Cortez. A abertura da sessão esteve a cargo do Prof. António Cândido Franco, mas também esteve presente na apresentação Manuel Silva Terra da Casa do Sul Editora.

O Dr. António Carlos Cortez, poeta com apenas 32 anos, já conta com a publicação de quatro obras poéticas: Ritos de Passagem, que é uma espécie de diário sobre a saída da sua adolescência e iniciação na poesia, Barco no Rio, A Sombra no Limite e À Flor da Pele que é uma obra poética sóbria e simples.

De acordo com a interpretação do Prof. Cândido Franco, esta obra possuí uma certa dose de linguagem hermética que faz apelo aos sentidos. Estas sugestões interpretativas foram ilustradas através da leitura em voz alta de alguns poemas de António Cortez. Entre os quais destacam-se "Modo de Olhar", que é uma poesia fechada sobre si mesma, mas onde prevalece a atracção pelo silêncio; "Palavras para Quê", que é um poema cuja temática está relacionada com as intenções e propósitos das palavras.

Após a intervenção do Prof. António Cândido Franco, o poeta agradeceu as leituras feitas à sua mais recente obra poética e numa frase resumiu a sua obra como sendo "Uma Poética do Silêncio e da Intencidade". Seguidamente procedeu à leitura de três dos seus poemas: "Tudo o que Somos", "Praia" e "Ecos". E é neste clima de "leitura dos sentidos" que António Cortez deu por terminada a apresentação do seu livro de poesia.

visões, neurónios & afectos