18 fevereiro 2009

Este país não é para velhos, de Cormac McCarthy




Sessão de 25 de Fevereiro 2009 do Grup’Eco

O livro que discutiremos na próxima sessão não reunirá, julgo eu, reacções consensuais, como aliás deve acontecer com qualquer obra estética. Se é a violência que surge ao primeiro olhar pelo enredo do livro que parece predominar, o texto, na minha opinião, tem muito mais que se lhe diga. Do próprio estilo do Autor, cadenciado e por vezes algo encantatório, parece-me vir um tom pacificador para o leitor, contrastando com a agitação provocada pelo baque dos disparos, a agonia dos moribundos, o silêncio dos mortos, a frieza do criminoso.

Para lançar a nossa discussão sugiro-vos que reflictam sobre duas passagens do livro:

– A primeira, na página 56, «Basta um pequeníssimo esforço para governar pessoas de boa índole. Um pequeníssimo esforço. Quanto às pessoas ruins, é impossível governá-las. Ou se é possível, nunca tal me chegou aos ouvidos, pelo menos.», sugere-me várias questões:
- Haverá pessoas só de boa índole ou só ruins? Porque estas personagens parecem sê-lo, mas são personagens de ficção, por muito realista que o livro seja…
- A posição de quem governa poderá ser comparável, como o texto sugere, à de Deus? Não será um caminho para a prepotência pensar assim?
- O bom ou mau governo, ou uma posição social em que se mantém uma ordem, influenciará assim tanto a conduta individual de cada cidadão governado?
– A outra, na página 85, «Pensou em imensas coisas, mas o pensamento que não deixava de o assaltar era que, mais cedo ou mais tarde, ia ter de parar de confiar unicamente na sorte.», leva-me a propor a discussão em torno da sorte, do acaso ou do destino que, construído no ambiente ficcional pela pena do Autor, parece ter na realidade que lhe serve de modelo ou inspiração, um peso enorme nos percursos individuais de cada ser humano.

Não gostava também que deixassem de reparar mais atentamente, para além do conteúdo do enredo do livro, na sua forma, na própria arquitectura do romance que, a meu ver e apenas para vos aguçar o apetite para a discussão, tem logo a evidente característica de começar com a violência de «Mandei um moço para a câmara de gás» e terminar com a possível redenção de «E foi então que acordei.»
Cláudia Sousa Pereira

Renovada Hemeroteca em pleno funcionamento










Reabriu ao público a Hemeroteca da Biblioteca Pública de Évora




17 fevereiro 2009

Os "Gaspachos" divertem-se com "Os miseráveis romanos"



18 Quarta-feira
15.00 horas
Grupo de Leitura Juvenil – Gaspacho de Letras Livro do mês: "Os miseráveis romanos", de Terry Deary
Esta é uma actividade para jovens dos 10 aos 13 anos sobre a leitura, onde quem constrói cada sessão é o próprio grupo, com as suas opiniões e com uma orientação atenta de um adulto responsável que propõe as obras.
Entrada livre mediante inscrição prévia


Amanhã, pelas 15h00, o Grupo de Leitura Juvenil volta a encontrar-se para falar sobre livros. Desta vez, a conversa é à volta de um livro da colecção História Horrível, "Os miseráveis romanos".
Aqui fica o resumo:
Este livro apresenta-te a vida dos povos no Império Romano, do malvado Nero e outros imperadores tenebrosos à valente Boudica e aos pobres camponeses que tentaram que os romanos voltassem para casa…
Queres saber:
. o que os soldados romanos usavam por debaixo das saias?
. Como é que os antigos bretões ficaram com o cabelo tipo porco-espinho?
. Por que é que os romanos ricos necessitavam de um vomitorium?
Lê este livro para ficares a conhecer as tácticas terríveis do miserável Exército romano, as ideias inteligentes dos celtas sanguinários, jogos porreiros, receitas miseráveis e montes de segredos assustadores.

14 fevereiro 2009

Cláudio Torres na BPE


Cláudio Torres esteve na Biblioteca Pública de Évora, na quinta-feira, dia 29 de Janeiro. A vinda de um dos arqueólogos mais reconhecidos do país à BPE aconteceu por ocasião da actividade "Leituras das Ciências, Artes e Sociedade", um programa regular de divulgação da cultura científica e promoção da leitura.

A sessão contou com uma vasta plateia, que pôde ouvir, durante quase duas horas uma verdadeira aula de Arqueologia.

Cláudio Torres comparou a Arqueologia a um livro, com a pequena grande diferença de que quando se escava é como o passar da página, só que a página que é passada destrói-se, descontextualiza-se, ficando apenas o registo escrito.

O arqueólogo falou sobretudo da construção da memória e do papel de salvaguarda do património actualmente atribuído ao arqueólogo. Se antes a arqueologia era pensada por meio de grandes campanhas, onde se determinava o sítio, se escavava intensamente durante um período e depois se levavam as peças, descontextualizando-as e sem explicar às comunidades locais o que se extraiu e o que significava, hoje a arqueologia passa por construir memória e explicar o significado do que se encontrou à comunidade local e aos outros. Disso é exemplo Mértola, uma vila no Baixo Alentejo onde a partir do pós-25 de Abril se começou a construir a identidade de uma comunidade assente no seu passado histórico, articulando o projecto do Campo Arqueológico em estreita ligação ao poder politico local.

No papel, ficou uma bibliografia pelo arqueólogo recomendada, para quem quiser dar os primeiros passos na área.

Nesta actividade participaram já nomes ilustres de várias áreas científicas, como Carlos Fiolhais, que nos falou de Física, Daniel Sampaio, que falou de Psiquiatria, Máximo Ferreira, que falou de Astronomia, Paquete de Oliveira, da área da Sociologia, Viriato Soromenho Marques, que nos falou de Ambiente, ou Nuno Crato que falou de Matemática.

11 fevereiro 2009

Convite para "Relatório & Contas" e reabertura da hemeroteca


Este país não é para velhos


Não é uma leitura fácil a que temos neste mês no Grupo de Leitura. Não é que o livro não se leia bem, mas é preciso ter bom estômago e ânimo forte para aceitarmos viver com tranquilidade neste mundo que nos é apresentado por Cormac McCarthy em Este país não é para velhos.

A próxima reunião do Grupo de Leitura da BPE, que discutirá esta obra, está marcada para o dia 25 de Fevereiro, às 21.00 horas, e o livro já está disponível para empréstimo para os membros do Grup’ECO. Se ainda não é membro do grupo, pode fazer a sua inscrição no nosso sítio na Internet.

A propósito, na mesma semana, no dia 27 (sexta-feira), pode ver (ou rever) o premiado filme de Ethan e Joel Coen, com o mesmo título, que vamos visionar aqui na BPE, às 18.00 horas, com entrada livre. Pode saber mais sobre o filme aqui, ou ver um excerto do filme no You Tube aqui

visões, neurónios & afectos